Quando menos é mais. Qual a chance de 300 homens vencerem um exército de 135.000? Teoricamente nenhuma. Mas, por mais incrível que possa parecer, essa batalha aconteceu e é considerada como uma das mais impressionantes vitórias já relatada.

O que muitos se perguntam é: Como eles conseguiram esse feito?

Essa avassaladora vitória é confirmada por historiadores e relatada na Bíblia em Juízes 7:1-8. Um belo exemplo de quando menos é mais. É incrível como alguns conseguem tirar leite de pedra, enquanto outros com tudo na mão, não chegam a lugar algum. Tenho estudado sobre inteligência colaborativa desde 2005, a arte de conquistar apoio, engajamento e construir parcerias. Nunca essa habilidade foi tão importante quanto hoje, pois podemos ter milhares de seguidores e não ter ninguém, quando de fato precisamos.

E você, com quantas pessoas pode contar de verdade?

Essa história nos mostra que é melhor ter ao nosso lado 300 guerreiros que 135 mil virtuais soldados. As redes sociais têm nos ensinado a colecionar seguidores, quando na verdade o mais importante é ter apoiadores. Essa é uma das áreas de estudo da inteligência colaborativa.

A Bíblia relata que Gideão saiu em busca de guerreiros para lutar contra os 135 mil e voltou frustrado com 32 mil. Com esse inferior contingente, diz a Bíblia, Gideão procurou o conselho de Deus. Ele foi orientado a reunir os seus homens para perguntar quem estava com medo e dispensasse todos que respondessem afirmativamente. Do ponto de vista de quem ainda não entendeu o conceito quando menos é mais, foi uma catástrofe, pois foram dispensados 22 mil homens.

É lógico que o medo existia, mas enquanto uns temiam morrer no campo de batalha outros preferem enterrar a sua existência nos esconderijos da sua vida.
E você, qual é o seu verdadeiro temor? Pelo que você tem se sacrificado? Nas minhas mentorias e processos de coaching, com empresários e empreendedores é comum vermos pessoas atirando para todos os lados, acreditando, que o que vale é apenas sobreviver.

Gideão, agora com 10 mil homens, procurou novamente os conselhos de Deus. Foi quando mais uma vez a lógica do quando menos é mais foi testada. A intenção agora era saber quem estava de fato focado 100% na batalha e consciente que não poderiam baixar a guarda em hipótese alguma.

Gideão então levou os seus homens para alguns exercícios de batalha e na volta passou por um riacho para que eles pudessem beber água. Todos que colocaram as suas armas de lado e relaxadamente saciaram a sua sede, foram dispensados. Os 300 que sobraram foram aqueles que beberam sem baixar a guarda e se mantiveram alertas a qualquer imprevisto.

Muitas vezes somos levados acreditar que muitos recursos, fazer várias coisas ao mesmo tempo e ter várias pessoas para ajudar é um bom caminho para o sucesso. Mas pouco, vale ter tudo na mão sem saber de fato com qual medo lutamos.

Uns dos maiores medos da sociedade moderna é o receio de estar perdendo algo e com isso, tentar ser tudo para todos e fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Quantas vezes você já tentou, ser um multitarefa?

De acordo com os cientistas da Universidade Vanderbilt (EUA), isso não compensa. Essa atitude gera um congestionamento mental e um desgaste de energia que não compensa a tentativa de economia de tempo. Sem contar, o risco que alguns correm ao tentar usar o celular e dirigir ao mesmo tempo.

O medo cobra o seu preço

A questão não é não ter medo, mas ter medo do que realmente importa. Com a visão clara das prioridades podemos entender melhor quando menos é mais. Com isso conseguimos manter o foco e a atenção no que realmente vale a pena, não baixando a guarda no campo de batalha. E por último e não menos importante, nos mantermos próximo das nossas armas, ou seja, nossos talentos, habilidades e competências que devem estar sempre ao nosso alcance e sendo afiadas.

Com a visão clara de quando menos é mais acabamos, vendo oportunidades onde a grande maioria não enxerga, além de atrairmos pessoas que realmente podemos contar nas horas difíceis. Tudo começa pela visão do que temos e não do que falta para a batalha. Estudos apontam que aqueles que carecem de inteligência colaborativa tem mais dificuldade em entender esses conceitos.

Basta olharmos para a história e ao nosso redor que vemos que os vitoriosos, não se encontram nas maiorias, mas em grupos restritos que não fogem da batalha. E você, ao lado de quem tem escolhido lutar ? Quem são os seus parceiros e aliados ? É você que os escolhe ou eles quem tem te escolhido ?

Quando qualquer coisa vale, fica mais fácil perdemos a batalha.