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Como vimos
na primeira parte desse artigo, a comunidade conseguiu entender o valor
da cooperação e da reciprocidade para o seu desenvolvimento. O grupo que
não sabe compartilhar jamais alcançará o espírito de equipe.
Agora que a lição foi assimilada, eles queriam voltar a ter
os braços como antes e começaram a pressionar o pajé para encontrar uma
solução. Havia um certo temor por parte do líder, que ao voltarem a condição
natural, o grupo perdesse o senso de interdependência, essencial para o
crescimento do mesmo.
Mas,
o pajé confiante nas suas soluções, ordenou que buscassem na floresta
lenha de uma árvore conhecida como "OLUMITSE" para fazerem uma
fogueira onde todos deveriam se reunir a noite afim de conhecerem o remédio
para os seus braços. O pajé então ordenou que fizessem a fogueira limitada
por um grande circulo, que não deveria ser invadido e informou que era
aquele calor que iria curá-los, mas a lenha não parecia ideal, pois o
fogo se mantinha fraco e ninguém conseguia sentir o calor.
Depois
de algum tempo o pajé disse: "O fogo gosta de boas histórias, quem
tem uma boa para contar?" Embora fosse uma situação constrangedora
contar histórias para uma fogueira, teve alguns corajosos que se arriscaram,
e por incrível que pareça o fogo reagia de acordo com a qualidade das
mesmas, ficando forte ou fraco de acordo com o grau de inspiração e motivação
dos relatos.
Conquistas,
superações, lições de vida, experiências positivas, dicas e sugestões
passaram a ser o tema daquelas reuniões. Alguns mais ousados para aquecer
ainda mais as reuniões, divulgavam o seu desafio pessoal para o grupo
e se comprometiam em contar o resultado na próxima semana. Com o tempo
o grupo aprendeu a manter a chama bem forte de modo que todos
pudessem sentir o calor e entenderam o quanto as suas experiências e testemunhos
pode aquecer e motivar o grupo.
Conclusão:
Se invertermos
a palavra "OLUMITSE" obtemos "ESTIMULO" , alguns lideres
acreditam que é só deles a responsabilidade de motivar o grupo e subestimam
a capacidade do mesmo em gerar o seu próprio estimulo.
Os lideres mais bem sucedidos não são aqueles que ficam
tentando ser o único provedor de estímulos, mas os que sabem administrar
de forma positiva os que emanam do grupo. Numa sociedade cada vez mais
conectada como é a que vivemos hoje, não há mais espaço para o conceito
de motivação unidirecional.
A motivação originada no grupo além de ser aceita de forma
natural é muito mais forte e saudável, tornando os seus reflexos mais
produtivos e duráveis. O testemunho motivacional é utilizado com sucesso
por instituições religiosas, mas ainda é tímida a sua utilização em corporações.
A
idéia de motivação multidirecional assusta alguns, acostumados a serem
os únicos provedores de estímulos, mas se estes não procurarem se adaptar
a uma comunidade cada vez mais interligada, correrão um sério risco de
perderem o controle da situação e ficarem falando sozinhos.
Darcio
Corrêa Jr
- Consultor
e Diretor da Contatos Consultoria Ltda
- especializada em Sistemas de Controle de Qualidade de Atendimento, escritor e colunista
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