Aldeia dos Braços Duro - Parte II             por Darcio Corrêa Jr*

 

Como vimos na primeira parte desse artigo, a comunidade conseguiu entender o valor da cooperação e da reciprocidade para o seu desenvolvimento. O grupo que não sabe compartilhar jamais alcançará o espírito de equipe.

Agora que a lição foi assimilada, eles queriam voltar a ter os braços como antes e começaram a pressionar o pajé para encontrar uma solução. Havia um certo temor por parte do líder, que ao voltarem a condição natural, o grupo perdesse o senso de interdependência, essencial para o crescimento do mesmo.

Mas, o pajé confiante nas suas soluções, ordenou que buscassem na floresta lenha de uma árvore conhecida como "OLUMITSE" para fazerem uma fogueira onde todos deveriam se reunir a noite afim de conhecerem o remédio para os seus braços. O pajé então ordenou que fizessem a fogueira limitada por um grande circulo, que não deveria ser invadido e informou que era aquele calor que iria curá-los, mas a lenha não parecia ideal, pois o fogo se mantinha fraco e ninguém conseguia sentir o calor.

Depois de algum tempo o pajé disse: "O fogo gosta de boas histórias, quem tem uma boa para contar?"  Embora fosse uma situação constrangedora contar histórias para uma fogueira, teve alguns corajosos que se arriscaram, e por incrível que pareça o fogo reagia de acordo com a qualidade das mesmas, ficando forte ou fraco de acordo com o grau de inspiração e motivação dos relatos.

Conquistas, superações, lições de vida, experiências positivas, dicas e sugestões passaram a ser o tema daquelas reuniões. Alguns mais ousados para aquecer ainda mais as reuniões, divulgavam o seu desafio pessoal para o grupo e se comprometiam em contar o resultado na próxima semana. Com o tempo o grupo aprendeu a manter a chama bem forte de modo que todos pudessem sentir o calor e entenderam o quanto as suas experiências e testemunhos pode aquecer e motivar o grupo.

Conclusão:

Se invertermos a palavra "OLUMITSE" obtemos "ESTIMULO" , alguns lideres acreditam que é só deles a responsabilidade de motivar o grupo e subestimam a capacidade do mesmo em gerar o seu próprio estimulo.
Os lideres mais bem sucedidos não são aqueles que ficam tentando ser o único provedor de estímulos, mas os que sabem administrar de forma positiva os que emanam do grupo. Numa sociedade cada vez mais conectada como é a que vivemos hoje, não há mais espaço para o conceito de motivação unidirecional.

A motivação originada no grupo além de ser aceita de forma natural é muito mais forte e saudável, tornando os seus reflexos mais produtivos e duráveis. O testemunho motivacional é utilizado com sucesso por instituições religiosas, mas ainda é tímida a sua utilização em corporações.

A idéia de motivação multidirecional assusta alguns, acostumados a serem os únicos provedores de estímulos, mas se estes não procurarem se adaptar a uma comunidade cada vez mais interligada, correrão um sério risco de perderem o controle da situação e ficarem falando sozinhos.

Darcio Corrêa JrConsultor e Diretor da Contatos Consultoria Ltda - especializada em Sistemas de Controle de Qualidade de Atendimento, escritor e colunista

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